segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tigresa

Anteontem, foi aniversário da minha mãe. Perdi as contas de quantos anos a tigresa fez. Pra mim, Ela parou nos quarenta. Quando ela sorri, mil homens caem aos seus pés. A palavra que melhor define minha mãe é fascínio. Ela, simplesmente, hipnotiza e quando nós, meros mortais, vemos, estamos fazendo tudo aquilo que ela, a deusa, quer.
Se existem almas, a dela é cigana. Se existem corpos, o dela é vadio no melhor sentido da palavra. Mamãe sempre correu atrás de seus amores. Como boa mulher passional. Amava até o fim e dasamava com doçura.
Aliás, está pra nascer alguém que sabe abandonar um amor como essa mulher. Abandona sem ser abandonada. A tigresa só sabe ser assim. Dizem até as más línguas que ela não é um exemplo a ser seguido.
Minha mãe é torta. Só sabe ser mãe de vez em quando. Mas é um exemplo de mulher, sim. É intriga de quem diz que não se deve seguir o coração. Tigresa é a mãe mais fascinante do mundo.
Temos um problema. Tigresa me adoece. Basta uma visita sua para que algo aconteça. Basta ela me lembrar que minha garganta é frágil para a maldita inflamar. Queria dar a ela o mundo. Na verdade, ela é tão atraente que qualquer uma quer vê-la feliz. Seu sorriso alivia a tristeza mundana. Suas dores causam dores na alma.
Só sei amar como tigresa me ensinou. Com o corpo aberto, com a alma leve. Sei amar por inteiro porque desde sempre ela me disse que o amor era inteiro e quem ama pela metade não merece amor. Sou como sou porque ela sempre disse que não queria que eu fosse como ela e me tornasse dependente das pessoas. Amor e dependência andam separados.
Às vezes, odeio-a. Ela bagunça por onde passa. Minha mãe é um furacão de gente. Destrói e permite uma reconstrução. Algumas vidas são liberadas. Mamãe deixa esperando, sempre deixou. Parece noiva em tempo integral. Sempre vivo com medo de suas características destrutivas.
Tigresa é um dos meus primeiros amores. Talvez seja meu complexo de Elektra. Da tigresa, me resta uma certeza: Aquele que não se perde por seus encantos é incapaz de se encantar.
Outro dia, me deram a notícia. Tigresa se casou. Quantas pessoas no mundo têm mães que casam quando querem e não comunicam a ninguém mais? Linda, não?

Avaliando a fundo mensagens de texto nada subliminares

Primeiramente recebo isto: “Engraçado isso. Td hr olho o cel esperando uma sms.” . Depois eu recebo isto: “Mas eu sinto falta das sms, pena q ou elas vem com mt frequencia ou n vem”.

Parei, tá. Uhun, OK. Namorar é difícil. Eu já namorei umas trocentas vezes (namoros que já começaram fracassados, na maioria das vezes, mas tudo bem) e de tooooda essa vasta experiência meio inútil na maior parte do tempo, eu tirei esta conclusão: Namoros são difíceis.

Existe alguma sementinha do mal que é plantada nos coraçõezinhos apaixonados a partir do momento em que a maldita pergunta clássica “quer namorar comigo?” é respondida com um estúpido “sim” ou “claro”. É, se o Capeta existe ele acompanha bem de perto os namoros, porque ainda não conheci proximidade tão grande do inferno quanto esse tipo de relacionamento. Anjo e diabinho, lado a lado, azucrinando almas que caminhavam muito bem até este ponto da vida, mas aí a paixão acontece, o amor vai sendo construído e...Merda. Tá feito. The end.

Por exemplo, estava relendo essas duas inocentes mensagens de textos do rapaz Bruno Souza, o dito cujo da questão, ou seja, meu namorado (detesto a denominação “namorado”, mas tudo bem), então eu notei o quanto as pessoas, os homens bem mais, acabam se contradizendo em questão de pouquíssimos minutos quando estão tentando se livrar de alguma burrada mal feita. Sim, porque se fosse feita corretamente, eu nunca pensaria algo errado a respeito, estando assim, meio louca de amores, eu teria caído feito uma pata, mas não caí. Ops.

Primeiro, o meliante diz que olha seu adorado e amado (quem sabe até mais que eu) aparelho telefônico esperando uma mensagem de sua doce namorada, no caso, eu. Segundo, alguns poucos minutos depois, este já diz que apesar de sentir falta das mensagens sempre (tá, quase sempre) tão doces ou profundamente eróticas de sua namoradinha querida, sente pelo fato de ou elas virem em grande freqüência, ou cessarem por completo. É.

Agora, me respondam (essa vale 0,5 ponto, hein): “Como vou saber quando é a hora de PARAR com as mensagens se o meu exigente namoradinho que está na puta-que-o-pariu da Bahia, totalmente à toa em suas doces férias, às vezes chega a mandar mais de 140 mensagens num dia e no outro dia, manda 3 mensagens e ainda reclama quando peço o mínimo de atenção?”

Sinceramente? Eu não caio nessa meeeeeeeeeesmo. Não, não. Porque, caros amiguinhos que chegarão a ler estas asneiras de uma namorada enfurecida, eu não conheço nenhum Activia para equilíbrio sentimental não... Por que será, né? É simples: NÃO EXISTE MEDIDA CERTA NO AMOR.

Não sei dar amor de pouquinho em pouquinho, amor não é comida, pedaço de bolo da festa que a gente guarda pra mais tarde, não leio mentes (algumas pessoas podem até conseguir essa proeza, eu não) e o meu sexto sentido é cego, surdo, mudo e manco, logo, só posso contar com a plena consciência de que tenho sim um desequilíbrio nesta área do conhecimento afetivo e que não, não existem perspectivas de melhoras neste meu defeito.

Não, seja como você é, é assim que eu amo.”

Jura? Mesmo? Qual parte do “seja como você é” você quer que eu seja, então? Porque a partir do momento em que diz um “seja como você é”, fodeu, parceiro, suas chances de reclamarem de alguma maluquice, mania psicótica ou esquisitice qualquer estão completamente anuladas. E você fez isso (viu onde você errou?), você me deu o Green Card da piração, agora nem vem querendo construir um muro entre a Chica que eu sou e a Fernanda que você quer que eu seja, porque eu não sou sua filha, sou sua mulher, logo, não tente me ensinar o “A-B-C”, porque eu já terminei o Z faz tempo (e sem esquecer o W e o Y!).

Tudo era bem mais simples quando teoricamente a gente não era. As palavras tinham menos intensidade, as promessas era feitas só pra agradar, um tinha medo de machucar o outro (você sempre mais cuidadoso que eu), eu não tinha medo de me machucar, você não aparentava ter medo de me perder, eu entedia a traição como algo saudável, enfim... Tudo até antes de eu começar a não odiar mais casamentos, antes que pudesse ver em você uma fonte infinita de felicidade, antes mesmo que eu pudesse ser capaz de chorar de felicidade, sozinha, apenas por pensar que isso tudo é real.

Acho que a simplicidade do início dos romances é sempre muito convidativa, porque ela inibe a realidade de aparecer, de estar presente. Mas aí, quando a tão temida realidade vem, a gente no fundo acaba percebendo que não existe fantasia tão encantadora e mágica quanto as imperfeições de uma história de amor. Porque sempre que leio um romance ou assisto um filme, fico com aquela sensação de vazio, como se a nossa vida juntos não bastasse sendo do modo que é, mas aí eu penso nos poucos dias que já tivemos lado a lado, nos poucos meses que já estamos dividindo, então chego a conclusão de que nenhum daqueles filmes ou romances poderiam fazer eu chorar e rir, gritar e sussurrar, pedir carinho e pedir tapas, como nesta história tão inadequada para a literatura que nós dois vivemos. O nosso romance não caberia num livro nem maior que o Aurélio, o nosso filme não daria num DVD duplo, as nossas cenas não se adequariam a TV. Porque nascemos para sermos reais.


Chica Blanco escreveu para Bruno Souza.

domingo, 16 de janeiro de 2011

L'amour...

Bate Papo Uol
Fábio Jr entra na sala.

Fábio Jr grita paraTodos : Carne e unha, alma gêmea, bate coração, as metades da laranja...

Coisas de Mulherzinha grita para Fábio Jr : ahã, a gente acredita viu! uuhhh como acredita! ah vá Fábio , ah vá!

Por que aqui, não caímos em cantadinhas bobas ...mas as boas... bem... deixa em off!




Fato consumado

Você me olha de um jeito assustado. Estou assim, tão nua e tão de repente. Você me despe dessa pele que me esconde do mundo. Estou sua, tão absurdamente sua. E você não sabe de onde surgi, como fui parar no meio de suas coisas. Balbuciamos duas ou três palavras, todas elas carregadas de desejos impunes. Há um mapa em branco entre seus lençóis, seus livros, sua música. As poesias estão todas sobre a cama, porque você quer que eu as leia em voz alta. Drummond, Vinicius e Quintana são testemunhas mudas e inertes de um amor não consumado. É essa alegria que nos toma de assalto em pleno baile de máscaras. Aquelas outras músicas também calam. Ouvimos somente essas melodias que compartilhamos e que nos dizem algo que sentimos por baixo da pele. Permanecemos em silêncio, com olhos vidrados. O sono é persona non grata entre essas paredes. Não recuamos. Não avançamos. Há uma tensão implícita e instigante na ausência do toque, na separação, na gana que me provoca. Ouço tempestades se aproximando. É o teu rosnar pacífico de homem que ama. É o meu caos hormonal lançado contra a tua pele. Silêncio ensurdecedor. Hiato carnal lançado à pira. Minha rendição total. Drummond, Vinicius e Quintana permanecem testemunhas mudas entre lençóis e esse bolero de Ravel que toca apenas quando nos liquefazemos em amor - fato consumado. Memória que acabo de inventar.


[Por Nina. Com saudade do futuro.]

sábado, 15 de janeiro de 2011

Um e-mail que nunca foi enviado

Eu queria dizer cada palavra desse e-mail olhando pra você,mas é certo que não teria coragem, por que ...que ironia do destino... eu tou apaixonada.
Tá na cara que eu tou sobrando na tua vida, e tou mesmo e eu sei  e não te culpo.
Não te culpo por que só de saber que você existe , isso me dá uma sensação de felicidade imensa, na verdade eu sempre alimentei esse pensamento.
Em pouco tempo você me devolveu tanta coisa que eu perdi no caminho ,e você tem sido ótimo comigo, mas ... sejamos sinceros 'VOCÊ AINDA GOSTA DE MIM?"
Nunca quis te pressionar, e nem cheguei na tua vida pra isso, essa não é minha intenção e nunca vai ser, não te quero do meu lado por obrigação, por gratidão
ou por piedade , por que nada disso é amor... eu não quero nada que não seja carinho, paixão, afeto, tesão e amor...  Se não dá pra ter nada disso, que eu tenha amizade
que é algo real, mas obrigação, gratidão e piedade não cabem.
Eu adoro tudo de você, ai menino como eu gosto de você e eu nem sei explicar ao certo o por que desse gostar  ...mas eu sei que gosto por que eu tou chorando muito
e tá doendo pensar que talvez eu esteja dando um tiro de misericórdia aqui.Eu odeio seu pessimismo, odeio quando você acha que nada vai dar certo e odeio quando você se refere á você
como um perdedor, ahh isso tudo eu odeio sim.
Não tou te cobrando uma posição, não quero que me assuma pro mundo como sua namorada, nem que bote uma mega aliança no meu dedo, não é isso ... é que tá
notório de que eu já não tenho a importância que tinha no começo... ás vezes acho que você não confia no que sinto, mas olha o que sinto é muito real... tão real que
eu faria tudo pra deixar tua alma mais leve, até cairia fora da tua vida ...se isso te aliviasse a pressão do dia a dia, mesmo te querendo tanto e pensando tanto em você
eu abriria mão do seu sorriso pra mim, pra que ele fosse do mundo todo... eu sei lá o que me faz ser idiota assim, á ponto de não querer te prender e amarrar no pé da minha cama.
Isso aqui não é um pedido de casamento, muito menos um fora... não é um apelo desesperado que tu me ame, não , não é isso... é só uma reflexão, se você sentir aí contigo, que não cabo na sua vida, seja sincero e me fale meu amor, eu preciso e tenho direito de saber viu?! agora, se você sente que eu sou a garota certa na hora errada, tudo bem menos mal... por que...
no meu caso você é o cara certo na hora errada , mas eu espero a hora certa chegar e de preferência com vc do lado...mas isso é o que eu quero, eu sei o que quero...eu te quero...e quero muito.
Na boa, eu te amo! parece precipitado...e é precipitado,mas com você tudo foi tão precoce, que isso nem me surpreende , e por amar que eu deixo você ir ...que eu deixo você ficar, que eu deixo...eu deixo TUDO!
Com amor e devoção, mais á você do que á mim mesma, o que é tão ridículo , tão patético...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma carta sobre amor, cereja, bolo e falta de confiança.

Eu te amo. Não O amo, eu TE amo. Existe uma grande diferença nisso e não me refiro ao erro.A diferença é a forma espontânea desse amor, que se recusa a seguir as regras, porque eu amo do jeito que só eu sei amar, todo mundo ama como pode, como quer, embora alguns prefiram não ultrapassar a linha amarela. Mas eu não, eu realmente te amo.

Quem me vê, ou melhor, quem me lê repetindo esses abundantes “amo, amo, amo” pra cá e pra lá nem imagina que no fundo eu tenho pavor disso tudo, dessas repetições. E me irrito, me irrito muito por já ter notado que sempre que faz algo que me desagrada, dispara logo um “te amo” pra mim, achando que duas palavras podem reparar todos os danos que sua personalidade pode me causar. Não, não mesmo...Já sabe também que isso não cola comigo, mas não entendo porque continua insistindo em me dizer “te amo” quando minha vontade é de te matar. Raiva passageira, tudo bem, eu taco o celular longe e começo a dar um daqueles pitis de fúria trancada no quarto, aí o celular faz o barulhinho da mensagem e eu corro pra olhar, ainda que o desejo de te matar não tenha desaparecido, então leio um “te amo” (banal, comum, sem graça, sem sal) e a vontade de te matar só aumenta, mas de um jeito diferente, porque aí dá vontade de rir. É, rir. Rir da sua preguiça de pedir perdão, do seu sono por dar explicações. Eu quase fico gargalhando sozinha, amargurada, enfurecida.

Não sei se já amou, acho que sim, mas as táticas do jogo sempre mudam, não te avisaram? Meu bem, eu não vou me jogar aos seus pés só porque diz me amar, porque isso é muito pouco pra mim, “eu te amo” é o mesmo que um punhadinho de migalhas, porque eu sou íntima o suficiente das palavras para saber o quanto elas podem ser traiçoeiras, ela podem brincar com sentimentos, acabar com alguém, mas essas três palavrinhas (ou duas) não têm efeito algum, elas são só um complemento, uma cerejinha no bolo. E o que é uma cerejinha no bolo se não existe um bolo? É, você precisa preparar a base primeiro, o recheio, a cobertura, há tanto o que fazer! Não se apresse pensando que o meu romantismo vai ser um aliado nesse romance, porque o meu romantismo é descrente, ele é frio e calculista. Sim, isso é possível.

Eu não confio em você. Isso, nem um pouco. Existem mulheres que precisam dar seu corpo como prova de amor e confiança a um homem, mas nunca fui desse tipo, porque nunca tive saco pra provar as coisas para os outros, isso me cansa. O meu corpo eu dou porque eu quero dar, uai! É tudo meu mesmo, se quero dar, quem vai me impedir? Jesus Cristo? Papai Noel? Ah, pela graça da vida, não vou ficar tentando provar que confio em ninguém, porque isso vai ser uma baita mentira cabeluda. Não confio, nunca confiei e (infelizmente) não vejo como começar a confiar. Mas, nem por isso vou ficar me podando. Eu falo, eu grito, eu sussurro, eu aperto, mordo, abro, fico me exibindo e não estou nem aí para o fato de achar ou não que isso é prova de confiança, porque eu sei que não é. A maioria das pessoas acha que entregar o corpo é dar seu bem mais precioso ao outro, ou que amar é dar seu bem mais precioso, pois eu discordo das duas opiniões. Eu amo e me ofereço de corpo inteiro, mas não sei confiar em ninguém. Nem ao menos em você, que tanto amo.

Chica Blanco escreveu para Bruno Souza.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O que nos resta é chorar

Ela não sabia se falava ou não. A conclusão que chegamos foi de que nos resta o choro. Sendo bom ou ruim, sendo coisa de menina ou não, sendo qualquer coisa que não precisa de definição, nos resta chorar. Ela não parece ser do tipo que choraminga por aí. Pelo contrário, parece bem forte e bem mulher.

Eu queria dizer a ela todos estes clichês que a gente diz quando alguém termina o namoro, mas ela não merece isso de ninguém. Clichês não ajudam e nos lembram que aquela pessoa fazia diferença, sim. Pior do que isso. Algumas pessoas sempre vão fazer a diferença nas nossas vidas.

Eu queria saber, ao menos, o que dizer a ela e não resolver os problemas dizendo que nos resta sempre chorar. Queria, quem sabe, abraçá-la e dizer que ela pode contar, mas nem isso faz muita diferença agora.

Por enquanto, p’ra ela, restaram lágrimas. Depois elas secarão. Elas sempre secam com o tempo, com o novo, com o velho, com as crianças, com as primaveras e verões. Não há inverno que dure mais do que três meses.

Não posso fazer nada por ela que escrever aquilo que quero e espero. Queria escrever um texto bem bonito pra ela sorrir. São muitos desejos por hoje. Por fim, o que nos resta apenas é chorar.