quinta-feira, 19 de maio de 2011

calendário

Vem, olha o calendário - olha o meu calendário. É noite de lua. É dia de maré alta e me encontro transbordada no revés do tempo atravessado e sem juízo. Atomizo o desvio, a dúvida, o medo. Pressuponho atrito, verdade, quimera. [Des] alinho-me. Liquefaço-me na cor que derramas dos olhos, no que não me dizes em sussurros bonitos e nas perturbações labirínticas e extasiantes. Confino-me no invólucro que te cobre os braços e me liberto pelos teus poros - porque te deixo impregnado e transpirante. E tu me reabsorves na ponta da língua-fera, embebedando-se de maresia lunar e violenta. Tu, homem do mar, me faz crer infinita, azul, fértil, ondulante. Então vem depressa e olha de novo o calendário - é nele [e em ti] que encho minhas marés.

terça-feira, 10 de maio de 2011

FOGO

"Onde quer que eu vá,
o que quer que eu faça...sem você,
não tem graça"
Capital Inicial - Fogo

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Palavras Sujas

Me pega no colo. Role comigo na cama até de manhã. Estou farta de saídas furtivas, de beijos roubados, de silêncios, de afastamentos, de distâncias bestas.

Agarra-me pelos cabelos! Puxe-os! Me deite no chão. Ama-me de quatro e do avesso. Revira-me o quanto puder! Diga que me ama e que me odeia! Me lamba! Sussurre no meu ouvido palavras doces. Lamba-me os seios, o pescoço e me faça gemer, me arranque gritos! Morda-me a carne! Marque-me! Lembre-me que sabes palavras sujas! Diga-me palavras sem sentido! Que gemamos até acordar os vizinhos, levarmos multa no condomínio. Que eles sejam capazes de reconhecer nossos gemidos e nos invejem por isso.

Toca-me o corpo! Acaricia-me a pele! Me arranha as costas! Arranca-me o juízo! Invada-me o corpo! Me penetra. Agarra-me em ti! Agarra-me o espírito! Me aprisiona o corpo no teu! Desperta-me o desejo! Toca-me! Arranca-me o prazer das entranhas! Despeje em mim toda a tua vontade de ter prazer. Desperta-me os sentidos.

Pulse! Pulse até não aguentar mais! Goze! Goze de mim, pra mim, goze da vida. Faça-me um filho! Dois! Três! Façamos um filme de amor e de dor. Gozemos de prazer. Tenhamos orgasmos, reviremos os olhos.
Gritemos! Cansemos da vida, suemos a vida. Façamos amor.
Pulse! Pulse mais! Pulse até ficar esgotado e cairmos de cansaço. Quero sentir teu pulsar dentro de mim.
Cansados, então, sejamos felizes.

domingo, 24 de abril de 2011

Noite Plantada

Noite plantada, esperando, esperando... Esperando o que mesmo? Esperando a esperança! Dizem que é a ultima que morre, mas é para mim sempre a ultima a aparecer.
Por onde andarias? Cadê tu?
Por uma noite, a noite toda, noite única a ser eternizada!

Noite plantada, um ateu em meio aos améns, desperdício de amores, não é intenso, não é recíproco, amor de talvez. Prefiro minha paixão ardente! Queimando meu corpo! Deus sabe há beleza disso!

Noite plantada, inventei que pensava, inventei que sabia. Mas o que sei?!?... SEI QUE TE QUERO!
Ilógico! Irracional e mais puro do que jamais senti. Parece erro mais que erro é esse em se procurar o que se busca? Satisfazer o anseio? E quem pode julgar minha essência?
Esqueça por uma vez, uma noite e um dia sua lógica, exalte a pureza!

Noite plantada, quero que me faça homem!Verdadeiramente homem! Minha virilidade, meus músculos, meu sexo, ponha a prova! Prove-me...
Deliciei-se! Faça das palavras verdades, seus sonhos virarem carne, osso, desejo e sabor. Um começo e um fim... Uma historia, mais uma! Sei que você ama tudo isso... Sua vida, seu desejo!
Simplesmente eu. Puro. Quer mais? Preze isso MINHA FLOR!
Agora, faça-me sangrar...
"A Carta de um homem
cheio de desejos ocultos na madrugada"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

T


Vou beber só mais esse gole e vou te consumir até você ficar exausto

Até sumir qualquer rastro de dor, pavor, chaga, medo

inquietude

teor de misturas não identificadas

Mas já aviso:

não é algema

É liberdade anunciada ...

Vou beber só mais esse copo, não me interrompa

quero esquecer de quem sou

me lembrar de que sou

só essa nua que tudo te mostra

olhe-me, aproveite tudo...NUA mais que a pele

a alma

e o copo

já vazio.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O reflexo


Estava me preparando para imprimir uma foto sua na antiga impressora em preto e branco

Porque aqui no estágio, sabe como é, imprimo o que quiser

Aí eu nem revelaria, pegaria a sua foto em papel comum

Pra poder colar onde quiser, sem pena

Mas alguma coisa aconteceu

No meio do processo, no monitor, o reflexo do meu rosto apareceu

E de tão pasma, até as rimas estão surgindo

Ainda investigo o que se passa, tamanho o espanto de me ver sorrindo


Eu estava feliz, mas não foi isso

Não só

Eu estava feliz, mas descabelada

É, eu estava agasalhada, com a cara amarrotada e descabelada

Feia, realmente desprovida de beleza

Ai que desespero, ê mania louca e chata de querer a perfeição

Comecei a pensar

Pensei, pensei e pensei e só foi piorando

Pensar causa problemas, não acha?

Cadê minha auto estima a essa hora da manhã?

Devo ter perdido dentro de algum sonho de madrugada


Muito estranho (voltando a contar)

Por trás da sua foto, aquele rosto esquisito refletido

Confesso, senti vergonha

A ponto de pensar como tive coragem de me encantar por você

Você, que não deve se achar perfeito

Embora pareça estar sempre bem consigo mesmo

Mas que me faz sentir isso, esse desespero

Medo de olhar no espelho e ter que encarar o rosto feio de uma mulher insegura


Se tivesse esse poder, eu te afastaria de mim

Por pura precaução, já que logo logo você vai acordar do encanto mesmo...

Se eu tivesse outro poder, eu te manteria comigo pra sempre

Por mais que achem que “pra sempre” é um exagero, eu não me importo

Amo falar pra sempre, amo pensar que é pra sempre

Quase sempre, tudo o que quero,gosto,amo ou possuo é pra sempre

Porque a gente precisa eternizar o passageiro

Já que passa mesmo, e passa tão depressa...


Hoje de manhã (agora), sentei na frente do computador disposta a roubar tua alma

Ou foto, tanto faz

Mas na busca por sua imagem, encontrei a minha própria

E eu não estava preparada para olhar pra dentro

Eu só queria a ilusão de ficar plantada na janela, vendo o mundo

Sempre fui crítica demais e isso me prejudica muito pouco

Porque aprender sobre si mesmo dói, mas pode te curar

E eu sei que não foi a imagem em si que me afetou

Foi o espanto de vê-la, surpresa, como se aquele rosto não me pertencesse

Percebi o quanto renego o meu reflexo

Apenas porque busco uma perfeição que não posso possuir

Simplesmente porque ela não existe.


Chica Blanco.


quinta-feira, 31 de março de 2011

invasões bárbaras

É noite de lua - rosno. Uivo para o céu. Deixo no ar o cheiro agridoce da concha venusiana onde deságua minha alma. É meu cantar para o sátiro - meu convite à dança.
Aproximação. Um início de delicadeza. Mas te quero bruto - pele embaixo das unhas, gosto de sangue na boca, um pouco de dor onde pulsa a vida nesse instante. Faço-me cadela. Culpa dessa outra maldita que reverbera nas paredes do meu corpo. Solto o verbo sujo em teus ouvidos e passo a língua em teu rosto, teu nome, teu desejo. De pelos eriçados - qual bicho - deixo-lhe o cio marcado na pele das coxas - nos pelos da virilha. E te quero forte, lento, fundo. Quero aspereza, crueza, um pouco de hostilidade. Invasão, barbárie, curra. Porque não tenho medo - tenho vida. Porque agora - nessas horas em que violentas meu mundo - sinto vibrar o coração entre as pernas.