domingo, 20 de fevereiro de 2011

Lavando o coração II

2- O FUTURO

Eu sou ligada em planos, você soube disso desde o primeiro dia em que ouviu a minha voz e me beijou. Gosto de fazer listas e tudo o mais, gosto de ilusões que pretendo que virem fatos, gosto de todos os sonhos que prefiro chamar de planos, tudo isso me agrada demais. E você parecia aceitar isso e até mesmo, curtir. Mas eu me enganei (tudo bem, não é nem a 37ª vez). Eu lhe contei meus planos de filhos, lhe falei do Benjamin, da Melanie e da Cereja, da casa de madeira na beira de uma praia calma, da vontade de ser pescadora e escritora, da vida tranqüila longe da muvuca para as crianças crescerem livres, da falta de vontade de me casar na igreja e no cartório, da vontade de fazer Letras, Psicologia, quem sabe também Filosofia, Nutrição, Teatro, tudo! Expliquei que não quero parar de estudar nunca, apesar de só querer ser pescadora e escritora para obter sustento, enfim, lhe contei detalhes que se desdobravam a medida em que o via interessado e me sentia livre para falar tudo, tanto, como se pudesse pronunciar toda uma vida que ainda está por vir numa simples conversa, porque eu achava que você estava ouvindo, lendo, mas gostando. E não. Acho que você sempre achou isso um absurdo, mas nunca (até pouco tempo atrás) teve coragem de assumir.

Eu iria para o Rio Grande do Sul por você. Me mudaria para a puta que o pariu do país, apesar de não gostar nem de frio, nem de churrasco e muito menos de chimarrão. Eu terminaria o curso de Arquivologia e, formada, faria meu já amado curso de Letras aí, numa universidade também pública, bem pertinho de você. E trabalharia, teria meu cantinho sem que precisasse ser obrigado a morar junto, perder a liberdade porque a louca da tua namorada cismou de te seguir pelo país. Mesmo sabendo que o curso de Letras focado no meu objetivo só tem no Rio de Janeiro, eu abriria mão disso. Mas não, pois você achou que seria inútil, afinal, em 2013 poderá ser transferido para o Rio, ou seja, eu só moraria perto de você por 1 ano, depois os dois teriam que voltar para o Rio mesmo... Mas você esqueceu que o meu mundo também gira em torno da escrita, você nem parou pra pensar que estudar em um outro lugar poderia ser uma boa experiência pra mim (tanto acadêmica, quanto de vida). Não, eu tive que pensar nisso tudo sozinha, depois que você me desligou sem permissão do seu futuro (nos próximos 2 anos só, sei bem...).

E depois, num ataque de surto típico de quem gosta, ama sofrer, acabei repetindo o mesmo erro e levando na cara, só pra deixar de ser besta. Foi um tapa verbal, um tapa com vogais, consoantes, vírgulas e tudo o que tivesse direito. Em um delírio que me pegou desprevenida, acabei querendo saber se após os 2 anos que teria que esperá-lo, quando chegasse o Rio para morar, poderia (olha que tolinha que fui) acabar pensando quem sabe na micro hipótese de morar comigo, de morarmos juntos. Não. Você negou. Assim: “Não”. Onde eu estava com a cabeça, hein? Oh sim, estava com a cabeça naquele momento em que você tentava me convencer que casamentos são legais e que teríamos que casar sim no cartório e na igreja, pois devia isso aos seus pais. Mesmo eu não acreditando em todas aquelas juras absurdas que teria de fazer diante de um juiz e de um padre, mesmo sabendo que teria vontade de rir e gritar que aquele tipo de coisa era uma farsa, mesmo indo contra meus ideais. Eu me deixei levar, mais ainda: Eu comprei sua idéia e tomei um verdadeiro gosto por ela! Até que você foi parando de falar sobre isso e foi me deixando sozinha, com todos os planos que me obrigou a parir... Até que percebi que quem não crê nisso agora é você, então eu voltei ao meu ceticismo, só que não quero mais voltar. Chega dessa ilusão ridícula, pelo menos com você.


Continua... Estou cansada para escrever hoje, continuarei amanhã, mas adianto que o terceiro tema será tratado pelo título "SURPRESA ?".

Chica Blanco.

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